O calçado desportivo da moda, usado essencialmente por adolescentes, na minha adolescência, parece que veio para ficar. Na minha altura, eram os betinhos que iam a todo o lado com os seus All Star - haviam algumas variações de cores, mas a minha eleita era a lona branca com riscas vermelhas e azuis. Mas isso era na adolescência, onde é imperativo que se ande normalizado como os pêros.
Os meus dias de All Star tinham ficado definitamente para trás. Com mais dinheiro na conta e um gosto um bocado mais refinado, passei a optar pelos Adidas, Puma e Nike. Cheguei mesmo a pretender ter uma colecção de sneakers que fizesse inveja à Missy Elliot. Mas depois vieram os saltos. As dores nos pés. O chão cruel das ruas de Lisboa. Enfim... cresci.
Foi então que uma amiga, achando que eu ainda estava em idade de ser jovem e desportiva, numa viagem ao Brasil descobriu o que ela definiu como «os All Star que têm a tua cara. São diferentes e em pele», dizia ela toda contente. E vai daí ofereceu-me uns no meu aniversário!
Ora eu, que não gosto nada de andar normalizada como os pêros e estou mais longe da adolescência do que o Benfica de entrar na Liga dos Campeões, resolvi fazer a vontade à amiga e comecei a usar a referida sapatilha.
Foram precisos uns dias para me abstrair daquele som irritante que aquilo faz, quando o nosso calcanhar se comprime contra a sola. Foi preciso ignorar a maior sensibilidade ao chão e foi preciso não ligar a todos os pés com quem me cruzava que usavam modelos semelhantes. Mas agora... creio que me rendi. Não comprarei outros, é certo. Mas aprendi a gostar dos meus Chucks.
