
mal cheguei à praia ele avisou.
"olha que eu tou quase, quase aí..."
e as pessoas que ficam bonitas na praia com uma aura nem dourada nem prateada, luminosa com um ligeiro brilho, iam-se chegando para trás.
"não me importo. podes vir."
e ele a ganhar força e corpo, a ficar cada vez maior.
"ai, ai, ai...que eu já te disse! estou a avançar. estou a crescer.."
e as pessoas que na praia são bonitas só porque estão vivas, mesmo que os seus movimentos sejam tão subtis como um nariz ligeiramente empinado em direcção a ele, ou uma mão rápida e despreocupada a sacudir areia da perna.
"eh...quero lá saber. podes vir à vontade, pá. não há problema."
e ele que não gosta que o tratem assim, com desdém.
"uuuiii...agora é que é! ó...ó prá minha força!"
e as pessoas bonitas a recuarem, a aceitarem as regras de um jogo que sabem, à partida, perdido.
"saiam daí! saiam daí ou entrem em mim."
e as pessoas bonitas encurraladas, a esfolar os pés nas rochas para empoleirar os telemóveis, os vestidos, as carteiras e as chinelas.
com um sorriso nos lábios porque até vai ser giro que ele as invada no seu espaço.
"aí vou eu..."
chegou na última página. posso segurá-lo mas abro a mão e deixo-o ir. gostei deste livro. chegará a jerusalém?...
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quarta-feira, 20 de agosto de 2008
jerus...além!
Publicada por Miu Miu à(s) 21:34 8 comentários
Etiquetas: aiiiii, que temos poeta.
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